(Eu sei que tá enorme, mas vale à pena ler).
Eu pensei com os meus botões - enquanto estou aqui, com uma touca de corações que pertence a minha irmã de seis anos, creme escorrendo nos ombros, com um biquíni de uns quatro ou cinco anos atrás (quando minha bunda ainda não era tão grande, em outras palavras, meu cofrinho certamente tá aparecendo), fedendo a um creme para cabelos cujo cheiro não é tão bom - que eu tinha que escrever um post sobre terça-feira. Até pra dar uma alegradinha nesse blog, que tá de luto há tempos. Vocês, estimados leitores miguxetes, que o digam.
Capítulo 1: Scheisse
Tarsila Vieceli acordou vestida no seu pijama fofito, ronronou (como sempre), virou-se de lado (como sempre) e não quis levantar da cama (como sempre). Na noite anterior, devido ao fucked horário de verão, eu demorei pra pegar no sono, não dormi direito e ainda tinha passado por uns momentos, hm, conturbados (juro que não tem nada a ver com o post anterior). E, além do mais, terça era o dia em que eu tinha 10h de aula no colégio, só exatas. E eu realmente não queria sair daquele colchão duro.
Quando eu abri os olhos, vi que estava quinze minutos atrasada, o que fez eu gritar Scheisse (merda, em alemão). Já deu pra ver que o meu dia começou super bem. Eu não tomei café, e estou tão dependente de cafeína que, quando eu não tomo café, não consigo ficar com os olhos abertos por mais de sessenta segundos e ainda fico muito, mas muito irritada.
Capítulo 2: O quadro-negro
Vamos falar sobre meu horário de terça feira: química-química-geografia-física-física. Almoço. química-química-biologia-matemática-matemática. É, eu sei, é pra matar o nego. Nas primeiras duas aulas de química, o professor corrigiu o dever que eu obviamente não fiz :D, e em seguida tomou uma atitude que jamais havia tomado antes:
- Tarsila, você pode fazer a questão 79 no quadro?
- O_O sério? [pensa: OMGWTFPQP]
- Sim, faz ali :D
- Aahhhnnn… não oO
- Vai, vai lá.
Tá, essa não foi a pior parte. O pior mesmo é que eu meço, ahn, 1,57m. E o topo do quadro fica BEM acima de mim, e eu estava com os braços doídos do pilates do dia anterior e… bem, só sei que a questão ficou da metade do quadro pra baixo. :D
Capítulo 3: A lupa, o dinheiro e o arco-íris
A aula de geografia foi a minha costumeira aula do soninho. Mas a perspectiva de duas aulas de física não me deixou dormir tanto assim. Quando a aula de física começou (só para constar, a gente tá estudando lentes), não sei de que jeito a nossa professora ninja perfeita super crânio pegou uma lente e projetou um arco-íris (que, também não sei como, foi parar nos meus peitos, o que gerou alguns comentários não tão legais assim). Dali a algum tempo ia ser o almoço, e eu peguei minha carteira para pôr a nota de dez reais que eu trago toda terça-feira no bolso. E, quando abri a minha carteira…
…não tinha nenhuma nota de dez reais ali. Aliás, não tinha nada ali. Nem o dinheiro para a passagem de ônibus. E meu estômago embrulhou e embrulhou, e eu tava morrendo de fome, e eu tinha que voltar pra casa, e OMG O QUE EU FAÇO????
- Barbara, você tem dinheiro?
- Não.
- Eloísa, você tem dinheiro?
- Não.
- Julia, você tem dinheiro?
- Não.
- AH, MEU DEUS, ALGUÉM TEM DINHEIRO????
De qualquer forma, eu arranjei o dito dinheiro. E ainda sobrou. Não vou dizer quem me emprestou, porque citar nomes no blog já me rendeu algumas confusões nada legais. Mas só sei que era a última pessoa que eu esperava que um dia fosse me emprestar um pila sequer.
Aí a professora ninja perfeita super crânio deu uma lupa para o Daniboy, a fim de que ele queimasse papel. E, veja só, o papel queimou. Mas vocês não imaginam a fumaça que saiu daquele maldito papel (que até arrancou lágrimas de pessoas que têm rinite - por exemplo, Tarsila Vieceli).
Capítulo 4: Maldito óleo!
Os leitores mais miguxetes, que leram pelo menos o início do capítulo dois, viram que, depois do almoço, há mais duas aulas de química. Essas aulas, de acordo com o cronograma, podem ser teóricas, práticas ou, hihu, folga! Mas é óbvio que numa terça como aquela eu não teria nem cinco minutos de folga. Olhei o cronograma e vi que a aula daquele dia era prática, e eu não tinha trazido o jaleco. Emprestaram-me um jaleco 3 números maior. Eu tive que dobrar as mangas umas quatro vezes.
Não sei se eu já disse isso, mas estava muito quente. Muito quente mesmo. A ponto de 100% dos meus colegas e professores estarem suando em bicas. O laboratório do colégio fica em um local super abafado, e o jaleco que me emprestaram, além de grande, era grosso pra caramba. Eu podia sentir minha pressão descendo e minhas glândulas sudoríparas trabalhando intensamente, e os pés assando dentro dos tênis. Falta de café + calor = Tarsila super irritada/estressada/indignada passando mal.
A professora passou a folha explicativa da prática do dia para todos os alunos. Havia vários beckers cheios de alguma coisa amarela. Eu pedi para o assistente.
- Ô, MarioJackson (não, esse não é o nome dele, mas a gente sempre chama ele assim :D), o que que tem dentro desses béckeRRRs?
- [olhar irônico] óleo!
Tá.
Aquilo não podia ser verdade.
A gente não ia esquentar óleo naquele dia infernal!
Eu li a prática e vi que íamos, sim, esquentar o óleo. Ferver o óleo, para ser exata. Eu queria chorar.
Foi bem pior que eu imaginava - como havia vento (quente ¬¬), as janelas tiveram que ser fechadas para que o fogo acendesse, e o laboratório se transformou em um verdadeiro forno. Ao fim da prática, eu estava no banheiro molhando os pulsos, não desmaiando por um fio - e, veja só, ainda teríamos uma aula de biologia e uma prova super legal de matemática!
Capítulo 5: A fuga
Eu tava meio que ansiosa para a aula de biologia - estamos estudando genética, um assunto que eu amo. Além disso, o professor é super legal e sempre “diverte” as terças-feiras. Em vez disso, iríamos assistir o jogo de handebol do colégio no ginásio.
Se o laboratório estava quente, o ginásio estava muito mais. O cheiro de asa estava insuportável. Dois minutos após chegarmos, eu, Julia e Eloísa fugimos do ginásio :D e fomos para o colégio. Chegando lá, o colégio deserto, tiramos os tênis e nos jogamos no piso gelado (que, apesar de ser piso, parecia uma cama macia naquelas horas). Acredito que essa foi a única parte não-chorante do dia - ficamos por uma hora conversando sobre assuntos diversos, que iam desde engenharia civil até a viagem da Ju para os EUA. Tudo isso, claro, regado a chocolate. :D
Capítulo 6: O drama: o chocolate, o ônibus e a gorda
Após a conversitcha, era hora da prova. Estava quase terminando quando vi alguma coisa na minha calça, no meio das pernas: uma mancha enorme de chocolate. Fui correndo até o banheiro e tentei limpar - o que piorou tudo, ficou parecendo que eu tinha usado um absorvente pequeno demais. Fora de brincadeira, ficou bem vermelho, e não teve jeito de sair.
Pelo menos já era o fim da aula - e, acreditava eu, oh, pobre iludida, o fim de minhas desventuras. Já estava no ponto de ônibus rezando para chover quando o dito ônibus chegou (e, francamente, queria ter perdido aquele ônibus).
O laboratório e o ginásio juntos resultavam no calor do ônibus. Eu consegui um lugar no banco e, nos pontos seguintes, o ônibus foi enchendo, lotando e quase explodindo de tanta gente. Até que, ao meu lado, de pé, uma gorda (leia-se doentiamente obesa) se apóia no banco e se inclina para cima de mim. Além disso, ela coloca a sacola (que tinha alguma coisa bem molhada, E EU NÃO QUERO SABER O QUE ERA) bem em cima do meu joelho. Ela se inclinou tanto, mas tanto, que eu achei que ela iria pôr os peitos dentro da minha boca. Então a garota do meu lado (que estava no lado da janela) quis descer do ônibus.
A verdade é que em raras ocasiões eu vi uma expressão tão apavorada como a daquela garota. Os olhos arregalados, o suor escorrendo e eu conseguia até ler os pensamentos dela: “OMG COMO EU VOU SAIR DAQUI CARALHO”. Felizmente, o ponto onde ela iria descer era o mesmo onde a gorda desceu, então ela conseguiu sair do ônibus sem nenhum arranhão.
Depois de eu quase ter caído do ônibus em movimento (não é culpa minha se a porta não fecha ok), posso dizer que minhas desventuras diárias terminam por aqui. Quem tiver vivido um dia mais tosco que esse, por favor compartilhe. ;D
(e quem tiver lido o post inteiro, me manda o endereço que eu envio um bombom! haha)
Escrito por tarsila às 1:17 pm.



